O HOMEM LIGHT - REFLEXÃO


Ando pensando muito sobre a questão da pós - modernidade e a visão do homem atual que caminha junto a ela. Lendo um texto do livro de Henrique Rojas, em que faz uma análise de como este homem se apresenta, me fez refletir ter uma visão mais ampla a respeito desse novo homem. Eu e você acabamos nos comportando de uma determinada forma, nos conformando em meio a tantas mudanças sociais, de pensamentos e idéias.
De acordo com ele tudo assume um caráter light, inclusive o proceder do próprio homem. Tudo está insosso, desinteressante etc.Nada mais choca, comove ou assusta. Por outro lado, a casca, ou o quanto a coisa, a imagem, a pauta do assunto, a capa, é quente, se é curioso é que importa, não o conteúdo, a essência. Tudo pode ser e deve ser experimentado, mas logo se tornará enjoativo e é descartado. A fragilidade cada vez maior dos relacionamentos, das amizades, das relações em geral reflete isso. Há uma desvalorização latente em se lutar, em se preservar as relações, tudo é descartável, na mesma rapidez que me interesso por.
Esse descomprometimento individual gera um descomprometimento total e generalizado, pois quero o desapego a todo custo e por isso não posso exigir do outro. A tolerância a tudo, desde as coisas menos éticas, a maior ausência de justiça, de lealdade e sinceridade se tornam regras da boa convivência e da igualdade de pensarmos e sermos como queremos. Metas altruístas, “martirizagem” e ideais louváveis são esquecidos – nada pode mexer com a minha cômoda vida leve.
Isso também implica a abstenção da luta dentro de mim mesma. Sem se revisitar, auto-analisar, o homem light se torna vulnerável, autômato espiritual, apesar de querer parecer na sua casca marcante, dinâmica e até agradável. Na verdade, ele se encontra vazio, seco de si mesmo e de suas qualidades perdidas. Ele então, sem saber como preencher esse vazio, fica vulnerável a consumir, a ver qualquer coisa, a ler qualquer coisa da moda, a obter aquilo que é legal pra ele próprio, na busca pelo prazer instantaneo.
A ética desse novo homem se baseia na estatística, nos números, que ratificam o seu sucesso, para os outros. Ao mesmo tempo em que se sente livre, se torna preso à preferência de todos e relapso a sua própria consciência.
Como diz Zygmunt Bauman, a ética deixa o seu lugar pela estética....
Guy Debord já dizia que essa é a era do espetáculo e a vontade de se ver por fora é cada vez maior. É o extremo do hedonismo e narcismo, a doença de si mesmo sendo fotografada. Veja as inúmeras doses de fotos do próprio fotografado tirando sua propria foto onde aparecem os dois símbolos: o fotografado narcisista que se olha e deseja que o outro o veja, pela foto, e a maquina, sua ferramenta que atesta o quanto ele merece ser registrado, o quanto é estético. Desculpe-me a redundância. Isso é apenas o sinal. Na lente dele só se vê o que se quer, como um bom fotógrafo, descartando isso ou aquilo que lhe tirará o prazer.
Suas necessidades de reconhecimento são a qualquer custo, não pelo que é, mas pelo que faz ou que aparenta ser. Nele incorporam o desejo de possuir do Materialismo, que o torna reconhecido pelas coisas que tem; o Hedonismo, que para si gera ídolos, fortuitos, enjoativos; o Relativismo descortina inúmeras verdades e não se obtém nenhuma opinião concreta, o bom se torna mau e vice versa, depende da visão.

Analisando a realidade e a mim me pergunto? Até que ponto tenho me deixado dominar por essa onda de desapego e descompromisso em diferentes áreas, mas, sobretudo em relação a Deus e nossa fé? Não é isso que temos ouvido, visto - materialismo, hedonismo - com o nome vitorioso de teologia da prosperidade? A teologia relativa, da minha visão, da minha opinião, da revelação especial.

O homem light senta no seu troninho e coloca Deus no seu cantinho, delegando a Ele a supressão de suas carências e necessidades fúteis e carregadas desses pressupostos. Se Deus não atende, segundo ele, toma pra si um novo ídolo, uma nova teologia pra ajustar sua vida num quadro estável, leve, onde tudo está sobre controle, menos o destino de sua alma.

Para pensar...

2 comentários:

Jessé Almeida disse...

Que texto! Em uma análise profícua, com citações de sociólogos de peso!!

Meu amor, que o eterno te guia

Soli Del Gloria

Danilo Fernandes disse...

Muito bom texto em Patricia. Vou ficar de olho para levar alguma contribuição para o Genizah.

Paz e Bem

Danilo...

Não vi sua fotinha por... Vc seguiu o trem direito, riso.

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Abelhudos